O Papa Leão XIV enviou uma mensagem em vídeo aos participantes da sexta assembleia da Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA). Na sua comunicação, o pontífice expressou profunda preocupação com o “crescente deterioração” do ambiente natural daquela que é a maior floresta tropical do planeta, uma região que abrange aproximadamente 6,7 milhões de quilómetros quadrados, partilhada por nove países da América do Sul.

“Tornaram-me profundamente consciente dos sofrimentos e das esperanças dos habitantes da região, bem como do crescente deterioração do seu ambiente natural. A todos os que sofrem com esta situação, desejo expressar a minha proximidade”, afirmou o Papa na mensagem dirigida ao encontro, que decorreu em Bogotá de 17 a 19 de março e que marca um novo passo no caminho eclesial da região amazónica.

A assembleia reuniu pastores, religiosos, religiosas e fiéis leigos dos territórios amazónicos com o objetivo de lançar as bases para promover a sinodalidade nas Igrejas locais durante o período de 2026–2030. Estas bases servirão como um instrumento para orientar a missão evangelizadora no território amazónico.

O Papa referiu também outra parte fundamental do encontro: a eleição da presidência da CEAMA para o mandato 2026–2030. Salientou que as tarefas da nova equipa incluirão continuar a avançar na implementação do Sínodo para a Amazónia e preparar contributos, extraídos da experiência amazónica, para a assembleia eclesial agendada para Roma em 2028.

“Saibam que vos acompanho com as minhas orações neste passo importante”, assegurou o Papa, que descreveu ainda a assembleia como “um tempo privilegiado de escuta do Espírito Santo” para discernir o caminho das comunidades cristãs na região amazónica.

A este respeito, citou a exortação apostólica Querida Amazónia do Papa Francisco, recordando que a missão da Igreja é proclamar “um Deus que ama infinitamente cada ser humano, um amor que Ele manifestou plenamente em Cristo”.

‘Algo novo está a nascer’

Os participantes na sexta assembleia da CEAMA escolheram como tema um versículo do profeta Isaías: “Eis que faço uma coisa nova: já está a brotar, não a reconheceis?” (Is 43,19).

O Papa revisitou esta imagem para destacar o processo atualmente em curso na Igreja amazónica. “É verdade: Algo novo está a nascer; ainda é frágil, mas já está em processo”, afirmou.

Para ilustrar este ponto, recorreu à imagem do “shihuahuaco” – conhecido como o “gigante da selva” – uma árvore que cresce lentamente, mas pode viver mais de mil anos e tornar-se um ecossistema por si só, servindo de santuário para numerosas espécies.

Através desta metáfora, o Papa explicou que a Igreja deve “ser um sinal de unidade na diversidade e um porto seguro que gera e protege a vida”.

Além disso, notou que o contexto atual exige uma “resposta adequada aos numerosos desafios sociais, ambientais, culturais e eclesiais que persistem na Amazónia – uma região ameaçada por situações de abuso e exploração”. Neste contexto, fez referência à flor-da-paixão, “cuja forma distintiva faz uma alusão marcante à paixão de Cristo” e que os participantes escolheram como símbolo da assembleia.

“Representa o papel profético da Igreja e de todos os seus membros – cada um de acordo com a sua própria missão: proclamar o ‘kerygma’ [mensagem do Evangelho] e a nova vida em Cristo, acompanhar os que sofrem e salvaguardar a criação e o respeito pela vida em todas as suas formas, especialmente a vida humana”, declarou.

Uma Igreja com rosto amazónico

Outro objetivo da conferência eclesial, que celebra o seu quinto aniversário, é avançar para a construção de uma Igreja com um “rosto amazónico”, uma das grandes aspirações que emergiu durante o Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazónica.

Segundo o Santo Padre, este processo é alcançado através da inculturação da fé, que permite à Igreja enriquecer-se com novas expressões culturais e manifestar o mistério de Cristo com maior plenitude.

No entanto, advertiu que se trata de um caminho exigente. “A inculturação é um caminho difícil, mas necessário”, afirmou, encorajando os participantes a “abraçar corajosamente a novidade do Espírito, capaz de criar sempre algo novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo”.

No final da sua mensagem, o Papa Leão XIV encorajou as comunidades amazónicas a continuarem a fortalecer a identidade de discípulos missionários na região, recordando o testemunho de tantos homens e mulheres que deram a sua vida pelo Evangelho naqueles territórios.

“Encorajo-vos a avançar juntos – pastores e fiéis – no fortalecimento da identidade de discípulos missionários na Amazónia. Continuai a semear no sulco que foi regado até com o sangue de tantos homens e mulheres que vos precederam, e que, unidos à paixão de Cristo, se tornaram a raiz de uma ‘árvore gigante’ que cresce na Amazónia”, disse o pontífice.