A Conferência Episcopal das Antilhas (AEC) expressou a sua “profunda preocupação pastoral pelo povo de Cuba”, que enfrenta “graves dificuldades humanitárias” após a decisão do governo dos EUA de cortar o fornecimento de petróleo à ilha.

Estas medidas resultaram em “escassez aguda de combustível e suprimentos essenciais, causando cortes generalizados de energia, perturbações em hospitais e sistemas de água, e sérias ameaças à segurança alimentar e aos serviços públicos básicos”, disseram os bispos caribenhos.

No dia 4 de março, um apagão deixou dois terços de Cuba sem eletricidade. As autoridades do regime de Castro, que governa o país há 67 anos, relataram que a “causa fundamental” do apagão foi “a fraqueza do sistema elétrico devido à indisponibilidade de combustível” para alimentar os geradores de reserva.

Estes cortes de energia tornaram-se cada vez mais frequentes nas últimas semanas, afetando gravemente a vida quotidiana dos cubanos. A AEC observou que estas condições poderiam “aprofundar a angústia e o sofrimento entre os cidadãos comuns que já suportaram muito”.

“Embora Cuba precise de renovação e mudanças positivas, não precisa de mais dor. Nem os nossos irmãos e irmãs na ilha devem sentir-se isolados de nós no seu sofrimento, especialmente quando fomos recetores da sua própria generosidade no passado”, afirmaram os bispos do Caribe.

“A Igreja não pode permanecer em silêncio quando a dignidade é ameaçada e o acesso a alimentos, cuidados de saúde e necessidades básicas se torna cada vez mais incerto”, acrescentaram. Para a AEC, a prioridade são “as famílias, os idosos, as crianças e os mais vulneráveis”, que são aqueles que “suportam o fardo mais pesado de circunstâncias fora do seu controlo”.

Os bispos reafirmaram “os princípios fundamentais de humanidade, imparcialidade, neutralidade e independência” na resposta às necessidades humanas, especialmente as dos mais vulneráveis, a quem a ajuda deve chegar “sem manipulações ou atrasos políticos”.

“O cuidado que oferecemos àqueles que sofrem reflete as obras de misericórdia pelas quais seremos julgados”, afirmaram, expressando também a sua proximidade a todo o povo cubano e à Igreja local.

“Os desacordos entre nações devem ser resolvidos através do diálogo e da diplomacia, e não pela coerção ou conflito. As considerações humanitárias nunca devem ser ofuscadas por interesses políticos ou estratégicos”, declararam.

Os bispos caribenhos convidaram todos os fiéis da região a unirem-se em oração pelo alívio do sofrimento cubano, pela sabedoria dos líderes políticos e pela descoberta de “caminhos para a paz, justiça e reconciliação”.

“Que a solidariedade substitua a indiferença e que a caridade supere a divisão”, exortaram.