O governo cubano anunciou a libertação de 51 pessoas detidas, um gesto que atribui às “relações próximas e fluidas” mantidas com o Vaticano. A medida coincide com a aproximação da Semana Santa.
“Em espírito de boa vontade e devido às relações próximas e fluidas entre o Estado cubano e o Vaticano — com o qual se mantém historicamente comunicação sobre processos de revisão e libertação de pessoas privadas de liberdade — o governo de Cuba decidiu libertar, nos próximos dias, 51 indivíduos condenados a pena de prisão”, informou o Ministério das Relações Exteriores de Cuba num comunicado divulgado a 12 de março.
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, confirmou à ACI Prensa, serviço em língua espanhola da EWTN News, que “conversas sobre a libertação de prisioneiros ocorreram recentemente”.
O comunicado do ministério cubano refere que todos os indivíduos em causa “cumpriram uma parte significativa das suas penas e mantiveram boa conduta na prisão”. No entanto, não especifica se o grupo inclui presos políticos.
O regime comunista afirma que, desde 2010, “concedeu indultos a 9.905 reclusos”, e que “nos últimos três anos, como parte da prática cubana e de acordo com as disposições da nossa legislação, outros 10.000 indivíduos condenados a pena de prisão foram libertados com base em certas condições”.
Este anúncio surge num contexto de tensões renovadas entre Cuba e os Estados Unidos, que começaram em janeiro, e após os recentes encontros que representantes de ambos os países mantiveram com oficiais do Vaticano.
A 20 de fevereiro, o chefe da missão dos EUA em Cuba, Mike Hammer, reuniu-se no Vaticano com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados.
O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, declarou a 9 de março que a Santa Sé tomou “as medidas necessárias” em relação à situação em Cuba, “sempre com vista a uma solução para os problemas existentes através do diálogo”.
Em janeiro de 2025, o regime cubano também anunciou a libertação de 553 prisioneiros após mediação do Papa Francisco e “no espírito do Jubileu Ordinário de 2025”.