O que levou dezenas de milhares de jovens mexicanos a desafiar o cansaço e as condições climáticas e a caminhar durante horas? No dia 31 de janeiro, a resposta foi unânime: a fé. Uma geração inteira embarcou numa peregrinação para depositar as suas alegrias, preocupações e esperanças aos pés de Cristo Rei.
Na madrugada de sábado, 31 de janeiro, mais de 1.700 veículos congestionaram as estradas que levam a Guanajuato. Vieram de diferentes partes do país e tinham o mesmo destino: o Vale João Paulo II, ao pé do Cerro del Cubilete, onde a peregrinação teria início.
Os organizadores confirmaram posteriormente que os 70.000 participantes da peregrinação superaram todas as previsões: inicialmente, esperavam-se pouco mais de 45.000.

Testemunhos
Para os participantes, a subida não foi apenas um desafio físico, mas também uma necessidade espiritual. David Andrés, que viajou mais de 370 quilómetros desde o estado de Nuevo León, explicou à ACI Prensa que queria oferecer o seu esforço como um presente a Cristo.
Salientou que, se é possível tirar um fim de semana para férias, também é possível “colocar-se aos pés do Senhor, literalmente, e dizer: ‘Aqui trago tudo, ofereço-te a minha vida, o que me deste, e tudo o que vier de ti receberemos com muito amor’.”

Para Norberto Ríos, noviço dos Discípulos Missionários de Emaús, esta foi a primeira vez que participou nesta experiência de fé. Numa entrevista à ACI Prensa, expressou a sua alegria por poder testemunhar que “ainda há jovens que querem responder ao Senhor”.
Para ele, o desafio agora é “ajudar os outros a encontrar Cristo. Sem esse encontro, é difícil aproximar-se da Igreja. O nosso testemunho pode abrir esse caminho”.
Memória viva da Guerra Cristera
A peregrinação também teve um significado histórico. Este ano, a marcha juvenil foi marcada pela comemoração do centenário do início da Guerra Cristera (1926–1929), um episódio de perseguição religiosa vivido pela Igreja Católica no México.
A memória da guerra esteve presente ao longo de todo o percurso: cartazes com citações de mártires, imagens como a do jovem mártir São José Sánchez del Río, e relicários de santos e beatos acompanharam a subida.

Discernir a vocação
Para alguns, a peregrinação foi também um tempo de silêncio e discernimento. Antonio Centeno Cuarenta, um jovem de Guanajuato, disse à ACI Prensa que fez a peregrinação na esperança de compreender o que Cristo quer para o seu futuro.
Ofereceu o seu esforço para que o Espírito Santo o ajudasse “a contemplar o que o Senhor me pede… numa das belas vocações que nos oferece: seja no matrimónio, no sacerdócio ou na vida religiosa”.

‘Avante, queridos jovens’
Ao meio-dia, o núncio apostólico no México, o Arcebispo Joseph Spiteri, celebrou a Missa. A sua mensagem foi um apelo para superar a “apatia”, as “aparências virtuais” e os “desafios”.
“Avante, queridos jovens. Como o Papa Leão XIV já vos disse muitas vezes, a Igreja agradece a vossa generosidade e confia na força do vosso testemunho, como amigos sinceros de Jesus, que querem construir com Ele o seu reino de fraternidade, respeitando a vida de cada pessoa e promovendo sempre a reconciliação e a verdadeira paz”, afirmou.
Muitos chegaram com motivações diferentes, mas, no final do dia, os 70.000 peregrinos desceram da montanha com os pés cansados e a convicção de que a fé continua a mover os seus corações.