Na liturgia de hoje, a Primeira Leitura nos apresenta o profeta Ezequiel, que recebe de Deus a missão de executar um sinal para o povo rebelde de Israel. Ele deve preparar sua bagagem de exilado e sair, cavando um buraco no muro e partindo no escuro, com o rosto coberto. Esse gesto profético anuncia o exílio que o povo sofrerá por causa de sua infidelidade. Deus não esconde que as consequências vêm de nossas escolhas, mas também prepara um sinal para despertar o coração endurecido.
No Evangelho de Mateus, encontramos Pedro perguntando a Jesus: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" Jesus responde: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete". Com essa resposta, Jesus ensina que o perdão deve ser ilimitado, assim como o amor misericordioso de Deus.
Em seguida, a parábola do rei que perdoa a dívida do seu servo ilustra a maneira como Deus age: se nós, que recebemos o perdão de Deus de forma tão gratuita, não perdoarmos os nossos irmãos, estaremos como aquele servo perverso, que por sua dureza perdeu a graça do Senhor.
O Papa Francisco nos lembra: "Na parábola, encontramos duas atitudes diferentes: a de Deus – representado pelo rei – que perdoa muito, porque Deus perdoa sempre, e a do homem. … Quantos sofrimentos, quantas dilacerações, quantas guerras seriam evitadas se o perdão e a misericórdia fossem o estilo da nossa vida! Também na família: quantas famílias desunidas que não sabem como se perdoar, quantos irmãos e irmãs que têm esse rancor dentro. É necessário aplicar o amor misericordioso em todas as relações humanas: entre cônjuges, entre pais e filhos, dentro das nossas comunidades, na Igreja e também na sociedade e na política." (Angelus, 13 de setembro de 2020).
Que esta palavra nos impulsione a fazer do perdão não apenas um ato ocasional, mas um estilo de vida, seguindo o coração misericordioso do Pai.