Mike Hammer, chefe da missão diplomática dos Estados Unidos em Havana, declarou que Cuba se encontra num momento decisivo e que o país alcançará em breve “a liberdade que não tem há 67 anos”.
“Se houver liberdade, não haverá sofrimento porque haverá a mudança necessária. Como vai acontecer? Bem, é nisso que estamos a trabalhar”, afirmou o diplomata numa entrevista à “EWTN Noticias”, a edição em língua espanhola da EWTN News.
Hammer confirmou que existem atualmente “trocas de alto nível com pessoas dentro do regime cubano”, bem como “conversas para ver o que pode ser feito para levar o país numa nova direção” que permita uma transição para a democracia.
A entrevista decorreu pouco depois da sua reunião de 20 de fevereiro com o embaixador dos EUA junto da Santa Sé, Brian Burch, e o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário do Vaticano para as Relações com os Estados.

De acordo com declarações oficiais da Embaixada dos EUA junto da Santa Sé, a reunião abordou a crise política, económica e social em Cuba e o papel que a Igreja Católica pode desempenhar como facilitadora ou mediadora.
Igreja apoia transição pacífica em Cuba
Hammer disse ter transmitido à Igreja em Cuba a necessidade de esta denunciar abertamente o desrespeito do regime de Castro pelos direitos humanos do povo cubano.
“Não o faz abertamente, publicamente; fá-lo através de missas, mas a perceção é que não se declara a favor da dignidade e dos direitos do povo”, afirmou o diplomata.
Também abordou a situação dos presos políticos: “Mais de centenas estão presos porque ousaram queixar-se da situação económica, da falta de eletricidade, da falta de água e por causa dessas manifestações pacíficas. É importante que o Vaticano, que a Igreja, lhes dê voz para que possam falar e dizer: Estes presos políticos devem ser libertados.”
O papel do Vaticano na equação cubana tem uma dimensão histórica que Washington conhece bem. A Santa Sé mediou o degelo diplomático entre Cuba e os Estados Unidos iniciado pelo presidente Barack Obama em 2014, e o Papa Francisco facilitou parte das negociações.
De facto, embora os Estados Unidos não tenham tido um embaixador em Cuba desde 1960, as relações diplomáticas foram restabelecidas em 2015. No entanto, a missão norte-americana é chefiada por um encarregado de negócios, um cargo que não tem o estatuto de embaixador.
Um diplomata nas ruas
Durante os seus 15 meses em Havana, Hammer adotou uma abordagem diplomática invulgar. Percorreu a ilha — todas as suas províncias — para ouvir diretamente os cidadãos e conhecer em primeira mão as suas preocupações e aspirações.

“Muitos sentem que a revolução os traiu, e porquê? Porque os seus pais, avós, lutaram com Fidel, e o que aconteceu? Quando chegaram à idade adulta, não havia estado para os proteger, para cuidar deles, abandonou-os, e ao mesmo tempo veem como membros do regime de Castro vão passear pelo Paseo de la Castellana em Madrid ou vão estudar para a Europa”, disse.
Esta proximidade com o povo cubano não agradou ao regime de Castro, que tentou afastar os curiosos destes encontros organizando assédio encenado por grupos ligados ao regime. No entanto, o diplomata mantém que a mensagem que recebe na rua é inequívoca: “O povo quer mudança, é o que me dizem”.
Na mesma linha, questionou os privilégios da elite governante: “Como é que os carros de luxo conduzidos pela elite entram [no país]? De onde vêm? Como é que há restaurantes, paladares [restaurantes de alta classe], como lá dizem, frequentados pela classe alta? Isto é uma ditadura onde quem faz parte dela vive bem e o resto do povo é abandonado.”

Hammer também denunciou um clima de controlo e restrições que se estende a vários aspetos da vida quotidiana: “Controlam tudo. Não há liberdade de imprensa, de expressão, de religião. Isso tem de mudar. E o mundo tem de ver isso”.
Quando questionado especificamente sobre o grau de liberdade religiosa na ilha, afirmou: “Estão a prender mulheres que querem ir à Missa.”
Ajuda humanitária canalizada através da Igreja
Desde finais de 2025, os Estados Unidos canalizaram 9 milhões de dólares em ajuda humanitária através da Igreja Católica e da Catholic Relief Services, sem qualquer mediação do regime comunista. Hammer observou que esta é uma alternativa para evitar o desvio de fundos.
“A experiência ensinou-nos ao longo da história que não se pode confiar no regime para permitir que a assistência chegue a quem mais precisa, e é por isso que, lamento dizer, esta é a realidade de Cuba hoje”, afirmou, depois de confirmar que a ajuda humanitária dos Estados Unidos continuará a ser distribuída através de canais não governamentais para garantir que chega aos setores mais vulneráveis.
“Agora, pelo menos, estão a permitir que os Estados Unidos enviem ajuda humanitária, e através da Igreja — o papel da Igreja. De facto, a Igreja tem apoiado o povo cubano há décadas, e o papel da Igreja continua a ser extremamente importante”, indicou.
O objetivo de Washington, insistiu, é uma transição pacífica que evite derramamento de sangue e garanta a libertação daqueles que estão presos por motivos políticos.
Esta história foi publicada pela primeira vez pela ACI Prensa, o serviço irmão de língua espanhola da EWTN News. Foi traduzida e adaptada pela EWTN News English.