O bispo Arturo González Amador de Santa Clara, Cuba, declarou que “Cuba tem de mudar” porque a situação se agravou e a forma como as pessoas vivem “é desumana”.

“A situação não só se manteve grave e difícil desde a nossa mensagem para o último jubileu, como piorou”, afirmou o prelado durante a missa dominical de 15 de fevereiro, na qual também explicou as razões para o adiamento da visita ad limina dos bispos cubanos ao Vaticano.

González disse que os bispos decidiram adiar a viagem — inicialmente agendada para 16-20 de fevereiro — devido à situação “complexa” que o país e a região atravessam. Os bispos receavam que, se todos partissem e estivessem ausentes, alguma situação “difícil ou dolorosa” pudesse ocorrer. “Foi isto que nos motivou a pedir ao Santo Padre” o adiamento da visita, explicou.

“Nós, bispos, tomámos uma decisão: Onde devem estar os pais? Onde estão eles quando há dificuldade? Ao lado dos seus filhos. Ao lado do nosso povo”, afirmou.

O bispo de Santa Clara referiu que a visita ad limina estava inicialmente agendada para 2027, mas que o Papa Francisco, num gesto de proximidade, a antecipou para fevereiro de 2026.

“Claro que nós, bispos, estávamos ansiosos por nos encontrarmos com o Papa, e o Papa tinha um profundo desejo de se encontrar com toda a conferência episcopal, mas como poderíamos deixar o nosso povo e tudo o que estamos a passar? … Por isso estamos em paz, procuramos a verdade, procuramos servir, e isto faz-se acompanhando e rezando no nosso próprio lugar, com o nosso povo”, explicou o prelado durante a missa na Catedral de Santa Clara de Assis.

González recordou o apelo dos bispos cubanos para estabelecer um “diálogo sincero e eficaz”.

“Temos de nos sentar, temos de conversar, temos de ouvir”, disse o bispo, “e quando virmos o sofrimento dos nossos irmãos, temos de dar passos reais para o bem comum. Temos de nos deixar interpelar pelo sofrimento deste povo e fazer algo por ele.”

Padre cubano afirma que “modelo cubano tem sido um fracasso”

O padre Alberto Reyes, da Arquidiocese de Camagüey, apelou à esquerda latino-americana e europeia para que aceite que “o modelo cubano tem sido um fracasso”, porque “enquanto vocês se recusam a reconhecer isto e se vangloriam de continuar a dizer a um homem morto: ‘Força, tu consegues!’, o meu povo continua a sofrer; o meu povo está a morrer”.

Num artigo publicado no Facebook, o sacerdote afirmou que Cuba vive “uma vida semelhante à das nações em guerra”, na qual a população não tem controlo sobre o seu presente ou o seu futuro.

Disse que os membros da esquerda devem aceitar “que Cuba não é o que vocês gostariam que fosse, e que 67 anos é mais do que tempo suficiente para demonstrar que nunca será”.

“Se acreditam que o marxismo-leninismo é a solução para os problemas deste mundo, têm todo o direito de procurar soluções nele, e eu respeitarei isso, mas não aplaudam o fracasso do socialismo na minha terra com discursos de orgulho fingido. E se não querem dizer, porque é tão óbvio, que falhámos, pelo menos fiquem calados, aprendam a estar em silêncio, que também pode ser uma opção respeitável”, afirmou.

O padre disse que, por sua parte, os cubanos “continuarão a tentar construir uma Cuba onde se possa viver na verdade e na liberdade, recordando, de vez em quando, Oscar Wilde quando disse: ‘Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão a olhar para as estrelas.'”