O bispo de San Ignacio de Velasco, na Bolívia, Robert Flock, revisou os diferentes tipos de inteligência e incentivou o desenvolvimento da “inteligência espiritual”, que permite passar de um mero entendimento das coisas para a verdadeira sabedoria.
Recordando a sua juventude, o prelado notou que a inteligência era medida de acordo com as capacidades matemáticas e verbais. Mais tarde, na universidade, tomou consciência da existência da inteligência emocional, “através da qual se pode perceber, compreender e gerir as próprias emoções e as dos outros”, recordou.
No entanto, citando o psicólogo Howard Gardner, referiu-se às “inteligências múltiplas”, formas diferentes que incluem: linguístico-verbal, lógico-matemática, visual-espacial, musical-auditiva, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal, naturalista, emocional, existencial, criativa e colaborativa.
“Naturalmente, esta lista não inclui a inteligência artificial, que não é uma capacidade humana, mas uma ferramenta informática que começa a dominar as buscas de informação”, esclareceu o prelado.
Contudo, Flock enfatizou um tipo de inteligência que considera “a mais importante”: a inteligência espiritual.
“À primeira vista, soa como a inteligência existencial, a número 10, que é definida como ‘meditação sobre a existência, incluindo o sentido da vida e da morte’, mas isso seria um entendimento superficial, ironicamente carente de inteligência, porque a inteligência espiritual é estar sintonizado com Deus”, explicou.
“A inteligência espiritual permite-nos passar de um mero entendimento das coisas para a verdadeira sabedoria. É a única que pode unir e harmonizar todas as outras e garantir que são usadas com sabedoria”, acrescentou.
“Todas as frases da Oração do Senhor emanam da inteligência espiritual de Jesus Cristo, assim como as suas parábolas e outros ensinamentos, os seus milagres e o seu sacrifício final.”
Jesus, notou o prelado, “encarnou todas as formas de inteligência, exceto a inteligência artificial, que não precisava”.
“O Jesus ressuscitado abriu o intelecto dos seus discípulos para que pudessem ‘entender as Escrituras’; isto é, deu-lhes o dom do entendimento espiritual para que pudessem não só compreender a Bíblia, mas também conversar com Deus em todos os momentos”, enfatizou.
“Isto não é o ópio do povo, como disse alguém sem entendimento espiritual. É vida em abundância. É para isto que serve a Quaresma!” explicou.