O Bispo Silvano Pedroso Montalvo, da diocese de Guantánamo-Baracoa, em Cuba, encontrou-se com o Papa Leão XIV no Vaticano, numa visita ad limina que se realizou apesar das graves dificuldades de deslocação que o país enfrenta.
De acordo com a agenda do pontífice, o encontro privado ocorreu na manhã de sexta-feira, 20 de fevereiro, durante a visita dos bispos cubanos a Roma. O gabinete de imprensa da Santa Sé não divulgou pormenores sobre esta reunião, que não estava inicialmente prevista no programa oficial.
O prelado é um dos 17 bispos que compõem a hierarquia da Igreja Católica em Cuba, distribuídos por 11 circunscrições eclesiásticas – três arquidioceses e oito dioceses – que cobrem todo o território nacional.
A visita ad limina dos bispos cubanos estava originalmente agendada para os dias 16 a 20 de fevereiro, mas foi adiada devido à grave crise energética que assola o país. Inicialmente, os bispos anunciaram que não poderiam viajar por causa das prioridades pastorais, num contexto de severa escassez de combustível, agravado pelo aperto das sanções dos EUA e pela incerteza no fornecimento de petróleo.
“Os pastores rezaram e entenderam que este é um tempo para estar com o rebanho: a rezar, a acompanhar, a servir”, explicou o Padre Ariel Suárez, secretário-adjunto da Conferência Episcopal de Cuba, numa entrevista ao jornal dos bispos italianos, Avvenire.
No final, o Bispo Pedroso Montalvo conseguiu viajar até Roma e encontrar-se com o Santo Padre durante a tradicional visita ad limina, o encontro periódico que os bispos mantêm com o papa para o informar sobre a situação pastoral nas suas dioceses e fortalecer a comunhão com a Santa Sé.
A prolongada crise económica e social em Cuba – marcada por um declínio acumulado do PIB, escassez de bens essenciais, apagões prolongados e inflação galopante – tem complicado as viagens dentro e fora do país nos últimos meses.
No passado dia 1 de fevereiro, após rezar o Angelus na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV manifestou a sua grande preocupação com o aumento das tensões entre Cuba e os Estados Unidos. “Queridos irmãos e irmãs, recebi com grande preocupação notícias sobre o aumento das tensões entre Cuba e os Estados Unidos da América, dois países vizinhos”, afirmou o pontífice.
No seu discurso, o papa associou-se explicitamente ao apelo dos bispos cubanos e instou as partes envolvidas a escolherem o caminho do diálogo. “Associo-me à mensagem dos bispos cubanos, convidando todos os responsáveis a promoverem um diálogo sincero e eficaz para evitar a violência e qualquer ação que possa aumentar o sofrimento do amado povo cubano”, sublinhou.
As palavras do pontífice surgiram depois de Washington ter emitido uma ordem executiva através da qual o Presidente Donald Trump intensificou a pressão económica sobre Cuba, numa estratégia que inclui o corte de envios de petróleo para a ilha.
A 18 de fevereiro, os Estados Unidos exortaram Cuba a realizar “mudanças muito drásticas muito em breve”, enquanto aumentam a pressão sobre uma ilha que atravessa a sua pior crise económica em décadas. “É um regime que está a colapsar. O país está a colapsar, e acreditamos que o melhor para eles é fazer mudanças muito drásticas muito em breve”, declarou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, numa conferência de imprensa.