O presidente da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), Dom Ramón Castro Castro, delineou a visão da Igreja no México para 2026: caminhar juntos como uma Igreja mais unida, mais sinodal e mais próxima do povo. Este compromisso surge como resposta direta aos graves desafios de violência, pobreza e migração forçada que assolam o país.
Num vídeo divulgado a 29 de janeiro, o bispo de Cuernavaca destacou que 2026 marcará o centenário do testemunho de mais de 200.000 mártires mexicanos que deram a vida pela fé e pela liberdade de consciência. “Eles não procuraram o conflito, mas também não renunciaram a Cristo. Com o seu sangue, proclamam uma verdade que continua a desafiar-nos hoje”, afirmou, referindo-se aos que pereceram durante a perseguição à Igreja Católica no século XX, um período conhecido como a Guerra Cristera.
“Cristo é Rei”, proclamou Castro, sublinhando que recordar os mártires “não é regressar ao passado com nostalgia, mas permitir que o seu testemunho ilumine o nosso presente e fortaleça a nossa fidelidade diária”, especialmente perante a realidade nacional.
O prelado reconheceu que “a violência, a falta de segurança pública, a pobreza, a migração forçada e a fragilidade de muitas famílias continuam a ferir profundamente o coração do México”.
Uma Igreja que acompanha
“No meio desta realidade, a Igreja está presente nas paróquias, nas capelas, a acompanhar famílias, jovens, migrantes e vítimas”, afirmou Castro. A visão para 2026 é a de “uma Igreja que acompanha, que proclama a esperança com palavras e obras, e que constrói a paz a partir do Evangelho, com verdade, caridade e firmeza”.
Este caminho prepara a Igreja para grandes eventos de graça: o Jubileu Guadalupano de 2031 e a celebração da Redenção em 2033, que marcam, respetivamente, os 500 anos das aparições de Nossa Senhora de Guadalupe e os 2000 anos da morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Castro enfatizou que, na jornada empreendida, os bispos abraçam o apelo do Papa Leão XIV, que recorda que “a paz que Cristo nos oferece não é uma ideia distante, mas uma presença viva”, conforme expresso na sua mensagem para o 59.º Dia Mundial da Paz. “Uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, que vence o mal com o bem”, continuou.
“Continuemos a caminhar juntos para 2026 com o olhar fixo em Cristo Rei, fortalecidos pelo testemunho dos nossos mártires e sob a proteção amorosa de Nossa Senhora de Guadalupe, confiantes de que a paz de Cristo continua a transformar a história”, concluiu o presidente da CEM.