O povo cubano precisa que a sua situação dolorosa seja aliviada e o país precisa reconhecer e aceitar que a pluralidade de pensamento e de opções políticas “é uma riqueza, não uma ameaça”, afirmou o padre Ariel Suárez, secretário-adjunto da Conferência Episcopal de Cuba.
De acordo com a constituição cubana, o Partido Comunista é o único partido político permitido.
Numa entrevista ao jornal italiano dos bispos, Avvenire, o sacerdote explicou que Cuba vive atualmente “um momento muito difícil”, e foi isso que motivou os bispos a pedir ao Papa Leão XIV que adiasse a visita ad limina que estava agendada para 16 a 20 de fevereiro.
“A deterioração afeta todos os aspetos da vida no país. A saída de um único bispo não é o mesmo que a de uma conferência episcopal inteira. Os pastores rezaram e entenderam que este é um tempo para estar com o rebanho: rezando, acompanhando, servindo”, declarou.
Suárez descreveu como, neste momento na ilha, o transporte público e privado está parado, os horários escolares e de trabalho foram reduzidos e o turismo está paralisado, deixando milhares de pessoas desempregadas.
Além disso, enquanto os cuidados médicos foram reduzidos apenas a intervenções essenciais para salvar vidas, o número de pessoas vulneráveis e sem-abrigo está a aumentar, e mais pessoas não conseguem pagar comida e medicamentos.
“Muitos não têm água porque os camiões-cisterna — que distribuem água para áreas onde não há — não conseguem operar. A inflação está a subir e a moeda está a desvalorizar. O impacto psicológico é enorme”, salientou.
Durante a entrevista, recordou a mensagem de 31 de janeiro dos bispos cubanos, na qual afirmaram que Cuba requer mudanças urgentes, não mais angústia ou sofrimento.
“Precisamos de poder expressar-nos e viver com liberdade, compromisso e coerência”, para poder “combinar a genuína liberdade com a responsabilidade”, e “colocar o bem comum de Cuba antes dos interesses partidários”, disse.
“Precisamos de espaços de realização humana onde possamos desenvolver projetos pessoais e familiares”, acrescentou. “Precisamos de nos respeitar uns aos outros sem excluir ou estigmatizar ninguém.”
Além disso, o sacerdote afirmou que “precisamos de produzir e desfrutar dos frutos do nosso trabalho”, reconstruir infraestruturas danificadas e “aproveitar o enorme capital humano e a grande bondade presentes entre os cubanos, muitos dos quais partiram ou desejam fazê-lo”.
“Precisamos e desejamos que as famílias cubanas possam reunir-se, unir-se e encontrar-se”, afirmou.
Relativamente ao apelo do Papa Leão XIV para que os Estados Unidos e Cuba superem novas tensões através do diálogo, o secretário-adjunto da conferência episcopal expressou a esperança de que o diálogo seja possível.
“O Papa Leão falou de um ‘diálogo ‘sincero e eficaz‘, dois adjetivos importantes. Com o diálogo, ganha-se sempre. Com o conflito, perde-se porque cria feridas difíceis de sarar, como o ódio, a raiva e a vingança”, disse.
Suárez afirmou não ser político, sociólogo ou economista, mas como sacerdote, fala sobre o que vê todos os dias: “O reformado que agora não tem nada, o faminto, o detido injustamente, a mãe que está sozinha porque os filhos emigraram, o doente sem medicamentos, o adolescente toxicodependente, o padre que não consegue chegar aos seus paroquianos por falta de combustível, as pessoas sem esperança”.
“À comunidade internacional, digo: Ponham fim a todo este sofrimento.”