
Cardeal José Francisco Robles Ortega. | Crédito: Arquidiocese de Guadalajara
O Cardeal José Francisco Robles Ortega, arcebispo de Guadalajara, no México, afirmou que as autoridades têm o “mandato de nos proteger” da violência e, por isso, encorajou a população a “exigir” que cumpram o seu dever.
“Levar à justiça aqueles que cometem violência, aqueles que cometem homicídios ou injustiças, essa é a responsabilidade das autoridades”, declarou o cardeal numa conferência de imprensa a 1 de janeiro, segundo a sala de imprensa da Arquidiocese de Guadalajara.
O cardeal denunciou ainda a situação de extorsão que atinge pequenos empresários, salientando que muitos “agora nem ganham” o suficiente “para pagar o dinheiro de proteção” exigido pelos criminosos, razão pela qual “muitos estão a fechar os seus pequenos negócios”.
Para enfrentar a violência, o cardeal recordou que “a paz nasce e é alimentada no coração de cada pessoa”, uma vez que todas as formas de violência têm a mesma origem, “desde aqueles que cometem violência com uma palavra ofensiva até àqueles que cometem violência disparando uma arma contra um irmão”.
Desta forma, a contribuição de cada cidadão para acabar com a violência começa por “estar em paz nos nossos próprios corações, em harmonia com Deus e com o seu plano amoroso e misericordioso”.
É também importante “que as famílias prestem atenção ao que os seus filhos estão a fazer, com quem se relacionam e que oportunidades lhes são oferecidas”, afirmou o arcebispo, considerando “angustiante que o crime organizado esteja a recrutar adolescentes que muitas vezes não encontram aceitação, apoio ou proteção dentro das suas famílias”.
Apesar de uma diminuição significativa dos homicídios em 2025, atingindo o número mais baixo da última década, o México continua a ser um país fortemente afetado pela violência, especialmente do crime organizado.
A impunidade é um dos fatores mais graves no combate ao crime no México. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI), em 2024, “93,2% dos 33,5 milhões de crimes que ocorreram não foram denunciados, ou as autoridades não abriram um processo de investigação. Esta subnotificação é conhecida como a cifra negra do crime”.
Na lista das 50 cidades mais violentas do mundo em 2024, 20 cidades eram mexicanas.
Centenário dos Cristeros
Robles falou também sobre as atividades planeadas para comemorar, a 31 de julho, o 100.º aniversário da entrada em vigor da chamada “Lei Calles”, a legislação que restringiu severamente o culto católico no México e desencadeou a revolta armada espontânea de crentes em várias partes do país, conhecida como a Guerra Cristera.
Jalisco foi uma das regiões onde os católicos ofereceram maior resistência à violência e às medidas anticlericais do governo federal mexicano.
O centenário foi assinalado pela Conferência Episcopal Mexicana na sua mensagem de 13 de novembro de 2025 ao povo de Deus, intitulada “A Igreja no México: Memória e Profecia – Peregrinos da Esperança para o Centenário dos Nossos Mártires”.
Na ocasião, a conferência expressou o desejo de honrar “a memória dos mais de 200.000 mártires que deram a vida defendendo a sua fé: crianças, jovens e idosos; agricultores, trabalhadores e profissionais; sacerdotes, religiosos e leigos”.
O arcebispo de Guadalajara recordou que a falta de respeito pelo “direito fundamental” à liberdade religiosa “foi a causa da revolta da Guerra Cristera”.
Referindo-se novamente ao crime organizado, o cardeal salientou que “a violência não resolve nada, a violência piora as coisas, a violência abre feridas que não cicatrizam nem mesmo com o passar do tempo”.
Esta notícia foi publicada originalmente pela ACI Prensa, parceira de notícias em espanhol da CNA. Foi traduzida e adaptada pela CNA.