São Paulo de Tebas, o primeiro eremita
São Paulo de Tebas, o primeiro eremita cristão.

Data de festa: 15 de Janeiro

A 15 de janeiro, a Igreja Católica celebra a memória de São Paulo de Tebas, considerado o primeiro eremita cristão. A sua vida de solidão extrema, penitência e comunhão profunda com Deus no deserto egípcio serviu de farol inspirador para os primórdios do movimento monástico.

Nascido por volta do ano 230, Paulo ficou órfão aos 15 anos. Durante a violenta perseguição do imperador Décio, em 250, viu-se forçado a fugir para o deserto para escapar à traição e ao martírio. Refugiou-se numa gruta remota, onde decidiu permanecer para sempre, dedicando a sua vida exclusivamente à oração.

Durante 113 anos, São Paulo sobreviveu de forma milagrosa: uma fonte de água saciava a sua sede e, segundo a tradição, um corvo trazia-lhe diariamente meio pão para o sustentar – um paralelo claro com a providência divina concedida ao profeta Elias.

A sua existência solitária só foi conhecida pelo mundo através de um encontro providencial. Cerca do ano 342, São Antão do Deserto, já um monge venerado, foi avisado num sonho sobre a existência de um eremita mais antigo e santo. Após uma longa busca, Antão encontrou Paulo. Surpreendentemente, saudaram-se pelo nome, sem nunca se terem visto. Paulo, que estava isolado há quase um século, perguntou sobre o estado do Império Romano e se o paganismo ainda persistia.

Sentindo a morte aproximar-se, Paulo pediu a Antão que fosse buscar o manto que este recebera de Santo Atanásio, bispo de Alexandria. Antão, espantado por Paulo conhecer um facto da sua vida que nunca mencionara, obedeceu. No regresso, teve uma visão da alma de Paulo a ascender ao céu. Ao chegar à gruta, encontrou o corpo do primeiro eremita. Dois leões apareceram e, com as suas patas, cavaram uma sepurna digna para o santo, que Antão envolveu no manto de Atanásio.

A história da sua vida, transmitida por Antão aos seus discípulos, foi imortalizada por São Jerónimo na sua obra “Vida de São Paulo, o Primeiro Eremita” (c. 375). A sua memória é venerada a 15 de janeiro por católicos romanos, católicos orientais e cristãos ortodoxos. O seu legado perdura ainda hoje na Ordem de São Paulo Primeiro Eremita (Ordem dos Paulinos), fundada na Hungria no século XIII e ainda ativa.