
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua. | Crédito: Conselho de Comunicação e Cidadania do Governo da Nicarágua – el19digital.com (CC0 1.0)
10 de janeiro de 2026 – O governo da Nicarágua anunciou a libertação de “dezenas de pessoas” que se encontravam detidas no sistema penitenciário nacional. A medida ocorre após pressão diplomática dos Estados Unidos e coincide com o 19.º aniversário do mandato do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo.
Num breve comunicado publicado na rede social X, o Ministério do Interior nicaraguense confirmou que, no sábado, dia 10 de janeiro, “dezenas de pessoas que estavam no Sistema Penitenciário Nacional estão a regressar às suas casas e famílias”.
As autoridades não forneceram uma lista detalhada dos libertados, mas a agência de notícias espanhola EFE confirmou com familiares a libertação de sete figuras da oposição, incluindo a ativista Jessica Palacios e o pastor evangélico Rudy Palacios. Outros meios de comunicação locais, como o Divergentes, reportaram a libertação de pelo menos 30 presos políticos.
Arturo McFields Yescas, ex-embaixador da Nicarágua junto da Organização dos Estados Americanos (OEA), comentou o caso, afirmando que “o que aconteceu na Venezuela desencadeou medo no governo tirânico e esperança no povo”. Em declarações à ACI Prensa, o ex-diplomata, que se encontra no exílio, destacou que “uma simples declaração da embaixada americana levou à libertação dos presos na Nicarágua. Isto significa que um pouco de pressão dos Estados Unidos pode produzir muita mudança”.
A pressão referida materializou-se numa publicação da embaixada dos EUA na Nicarágua, no dia 9 de janeiro, que afirmava: “A Venezuela deu um passo importante para a paz ao libertar um grande número de presos políticos. Na Nicarágua, mais de 60 pessoas permanecem injustamente detidas ou desaparecidas, incluindo pastores, trabalhadores religiosos, doentes e idosos. A paz só é possível com liberdade!” A mensagem incluía uma tradução de um texto do presidente Donald Trump, que celebrava a medida venezuelana como um sinal de “busca da paz”.
McFields argumentou que este episódio “demonstrou que as palavras do presidente Trump são acompanhadas por ações” e questionou o impacto potencial de uma declaração ao mais alto nível, exigindo a libertação de todos os presos. “Há uma alavanca que deve ser usada, e a libertação de todos os presos deve ser exigida agora”, afirmou.
O ex-embaixador sublinhou ainda que, entre o povo nicaraguense, “há uma esperança silenciosa de que os ditadores podem cair a qualquer momento. O momento é incerto, mas há uma certeza de que podem cair. Antes disto, falar da queda de um ditador era uma utopia, era uma loucura. Mas já não é, agora é uma realidade”. McFields atribuiu parte deste sentimento ao impacto das imagens da detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro, que, segundo ele, “afetaram profundamente o regime” nicaraguense.
Num post separado, o Departamento de Estado dos EUA, através do seu Gabinete para os Assuntos do Hemisfério Ocidental, marcou o aniversário do regime, declarando: “Hoje, a brutal ditadura Murillo-Ortega ‘celebra’ 19 anos do que deveria ter sido um mandato democrático de cinco anos. Os nicaraguenses votaram num presidente em 2006, não numa dinastia ilegítima e vitalícia. Reescrever a constituição e esmagar a dissidência não apagará as aspirações dos nicaraguenses de viver livres da tirania.”
Restauro de mural histórico em Managua
Num desenvolvimento paralelo, a Arquidiocese de Manágua informou que o cardeal Leopoldo Brenes esteve presente na apresentação dos trabalhos de restauro concluídos do mural histórico do Cristo Ressuscitado na Paróquia de São Domingos, na capital nicaraguense.

Os trabalhos, que fazem parte do património cultural nacional, consistiram na “limpeza e reforço de toda a estrutura, bem como na reconstrução da imagem do Cristo ressuscitado, que desabou acidentalmente em dezembro de 2024”, sem causar feridos. A imagem, presente na igreja desde a sua construção em 1968 e que resistiu ao terramoto de 1972, tinha sido enfraquecida pela constante atividade sísmica em Manágua.
