A liturgia de hoje nos confronta com duas realidades poderosas: a coragem profética de Jeremias e a rejeição de Jesus em Nazaré. Na primeira leitura, o profeta Jeremias (Jr 26,1-9) recebe a ordem divina de proclamar, no átrio do Templo, a mensagem de conversão. O Senhor adverte que, se o povo não ouvir, Jerusalém se tornará maldita como Silo. Mas a reação dos sacerdotes e do povo é imediata e violenta: querem matar o profeta.
No Evangelho de Mateus (13,54-58), Jesus experimenta a mesma rejeição em sua própria terra. Os moradores de Nazaré, conhecendo sua origem humilde — filho do carpinteiro, irmão de Tiago, José, Simão e Judas —, escandalizam-se com sua sabedoria e milagres. Jesus sentencia: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família”. A falta de fé impede que Ele realize muitos milagres ali.
O Papa Francisco, no Angelus de 30 de janeiro de 2022, refletiu sobre essa passagem: “Perante os nossos fechamentos, Ele [Deus] não retrocede: não põe limites ao seu amor. […] E hoje também nos convida a acreditar no bem, a nunca deixar de procurar fazer o bem.” A rejeição não diminui o amor de Deus; pelo contrário, revela sua persistência misericordiosa. Assim como Jeremias e Jesus, somos chamados a anunciar a verdade mesmo em meio à hostilidade, confiando que a Palavra de Deus nunca volta vazia.
Reflitamos: em quais áreas da minha vida estou fechando o coração à Palavra de Deus? De que modo posso acolher o Senhor, reconhecendo sua ação mesmo naquilo que me é familiar?
Que a Virgem Maria, que guardava todas as coisas no coração, nos ajude a superar a tentação do escândalo e a abrir-nos à novidade do Evangelho.