Na liturgia deste sábado, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre a força transformadora da fé e a justiça divina. Na primeira leitura, extraída da Profecia de Habacuc (1,12–2,4), o profeta clama a Deus diante da opressão dos injustos: “Até quando, Senhor, pedirei socorro, sem que me ouças?” (Hab 1,2). Deus responde: “O justo viverá pela sua fidelidade” (Hab 2,4). É um chamado à confiança perseverante, mesmo quando as circunstâncias parecem contradizer a promessa divina.
O Evangelho de Mateus (17,14–20) narra a cura de um jovem epilético, que os discípulos não conseguiram libertar. Jesus, diante da incredulidade da multidão, exclama: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco?” (Mt 17,17). Ele cura o menino e, ao ser questionado pelos discípulos sobre o porquê do fracasso, responde: “Por causa da vossa pouca fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: ‘Passa daqui para lá’, e ela passará. Nada vos será impossível” (Mt 17,20).
A semente de mostarda é minúscula, mas Jesus nos ensina que a fé verdadeira, mesmo pequena, é capaz de realizar o impossível. Papa Francisco, no Angelus de 6 de outubro de 2013, comentou: “A pouca fé que temos, mas que é forte, pode mover montanhas. Pensemos em tantas pessoas simples, humildes, mas com uma fé fortíssima, que realmente movem montanhas: mães e pais que enfrentam situações difíceis, doentes que transmitem serenidade. Essa fé se alimenta na oração, que é o respiro da alma com Deus.”
Que este evangelho nos encoraje a perseverar na fé, mesmo diante das adversidades, e a buscar em Deus a força para testemunhar o seu amor no cotidiano. A oração é o diálogo que fortalece nossa confiança e nos torna instrumentos da graça divina.