A liturgia deste dia nos convida a refletir sobre a confiança total em Deus e a verdadeira felicidade que vem do Reino. A primeira leitura, do Primeiro Livro dos Reis (17,1-6), narra a obediência do profeta Elias, que, guiado pela palavra do Senhor, retira-se junto à torrente de Carit, onde é sustentado milagrosamente por corvos. Esta passagem nos ensina que, mesmo em tempos de escassez e incerteza, Deus provê para aqueles que confiam em Sua vontade.
O Evangelho de Mateus (5,1-12) apresenta o sermão da montanha e as Bem-aventuranças. Jesus proclama bem-aventurados os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e os perseguidos por causa da justiça. É uma mensagem revolucionária que subverte a lógica do mundo, apontando para uma felicidade que não se baseia em poder ou riqueza, mas na comunhão com Deus.
No alto do monte, Cristo entrega aos discípulos a nova lei, não mais inscrita em pedras, mas no coração: uma lei que renova a vida e a torna boa, mesmo que aos olhos do mundo pareça frágil ou miserável. Só Deus pode verdadeiramente chamar de bem-aventurados os pobres e os aflitos, porque Ele é o bem supremo. Só Ele pode saciar os que buscam paz e justiça (cf. vv. 6.9), porque é o juiz justo e autor da paz eterna. Só n’Ele os mansos, misericordiosos e puros de coração encontram alegria (cf. vv. 5.7-8). Na perseguição, Deus é redenção; na mentira, é âncora da verdade.
Por isso, Jesus exorta: ‘Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus’ (v. 12). Estas Bem-aventuranças permanecem um paradoxo apenas para quem acredita que Deus é diferente do que Cristo revela. Quem espera que os prepotentes dominem sempre a terra surpreende-se com as palavras do Senhor. Quem pensa que a felicidade pertence aos ricos pode julgar Jesus um iludido, mas a ilusão está justamente na falta de fé n’Ele: Jesus é o pobre que partilha a vida, o manso que persevera na dor, o construtor da paz perseguido até a morte na cruz. Assim, Ele ilumina o sentido da história, não a história escrita pelos vencedores, mas a que Deus realiza, salvando os oprimidos. (Papa Leão XIV, Angelus de 1º de fevereiro de 2026)