O governo dos Estados Unidos anunciou o envio de uma nova remessa de ajuda humanitária para Cuba, no valor de 6 milhões de dólares, que será distribuída diretamente à população através da Igreja Católica.
O Departamento de Estado norte-americano informou, a 5 de fevereiro, que a decisão foi tomada “após o sucesso da parceria” com a Igreja Católica em Cuba na distribuição da primeira ajuda de 3 milhões de dólares.
Esta segunda fase de assistência “será entregue através do mesmo canal que os primeiros 3 milhões de dólares, com produtos pré-embalados transportados de Miami e entregues por representantes paroquiais locais”, explicou o departamento liderado pelo Secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos.
“Este método provou ser altamente eficaz para garantir que o regime falhado cubano não possa interferir ou desviar a assistência destinada à população necessitada da ilha”, afirmou o Departamento de Estado.
Tal como na primeira entrega, “o regime não deve fazer qualquer esforço para interferir com o fornecimento deste apoio que salva vidas. Permanecemos vigilantes no rastreamento de qualquer desvio ou frustração dos esforços de assistência dos EUA, e o regime será responsabilizado perante os Estados Unidos e o seu próprio povo por qualquer interferência”, advertiu o comunicado.
“Para além desta tranche de assistência, os Estados Unidos estão prontos para aumentar ainda mais o apoio direto ao povo cubano. O regime corrupto só tem de o permitir”, acrescentou.
Após o anúncio, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, escreveu no X que era “hipócrita aplicar medidas coercivas” e “depois anunciar sopa e comida enlatada para alguns”.
O oficial referia-se às tarifas anunciadas pelos Estados Unidos aos países que enviam petróleo para a ilha, como forma de pressionar ainda mais o regime comunista que governa Cuba desde 1959.
Papel dos bispos norte-americanos
“Foi a Igreja Católica cubana que contactou as autoridades do país com a informação de que a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB) pretendia servir como canal para o envio de assistência material para Cuba, que seria fornecida pelo governo dos EUA”, relatou o ministério num comunicado publicado no jornal oficial Granma.
Por sua vez, a Caritas Cuba afirmou que a assistência material “será distribuída pela Igreja Católica” e que trabalhou em conjunto “com a Catholic Relief Services na organização deste envio. Também foi recebido apoio técnico da Caritas Alemanha no processo”.
O encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Cuba, Mike Hammer, também relatou que se reuniu com o presidente da Conferência dos Bispos Cubanos, o Bispo Arturo González Amador, e o arcebispo de Havana, o Cardeal Juan de la Caridad García, para “rever o progresso da distribuição da ajuda humanitária”.
O facto de a ajuda humanitária internacional não passar pelos controlos do regime marca um evento sem precedentes na história cubana, uma vez que a assistência anterior sempre exigira a participação e aprovação do Estado.
Apoio contínuo aos canais humanitários
O Movimento de Libertação Cristã (MCL) expressou o seu apoio ao esforço de ajuda humanitária dos EUA e disse que fornecer assistência à população através de canais humanitários é a forma de “quebrar a relação de dependência forçada que a ditadura impôs durante décadas como mecanismo de dominação”.
“Pela primeira vez na história, esta ajuda desconecta o controlo direto da ditadura sobre o povo” e é verdadeiramente humanitária e não ideológica, uma vez que “não envolve slogans” nem exige lealdade política. “Pela primeira vez, um cubano pode receber ajuda sem apoiar o regime, sem agradecer ao regime, sem ser politicamente dependente do regime”, afirmou a organização.
O MCL recordou que em julho de 2021 — após os protestos que o governo respondeu com repressão — apelou à comunidade internacional para implementar “11 ações concretas para isolar o regime cubano, em solidariedade com a liberdade do povo cubano”.
“No ponto 10 dessas ações, solicitámos a criação de um canal humanitário que permitisse o envio de ajuda diretamente ao povo cubano, isolando o regime”, salientou o MCL.
O Movimento de Libertação Cristã observou que “esta ajuda, distribuída pela Igreja e supervisionada pelos doadores, não pelo Estado cubano, concretiza uma ideia essencial: a pressão internacional deve ser dirigida ao poder opressor, e a solidariedade deve chegar — sem intermediários políticos — àqueles que estão a sofrer”.