O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou a 5 de fevereiro que o seu governo está disposto a dialogar com os Estados Unidos, mas apenas sem pressões e “em pé de igualdade”.

“Cuba está aberta ao diálogo com os Estados Unidos, um diálogo sobre qualquer tema que desejem discutir”, afirmou Díaz-Canel durante uma longa conferência de imprensa.

Esta declaração surge num contexto de crescente pressão económica sobre a ilha, após o anúncio de tarifas extraordinárias por parte da administração Trump a países que exportam petróleo para Cuba, agravando a já crítica escassez de combustível no país.

Díaz-Canel foi claro nas condições: “O diálogo teria de ocorrer sem pressão; o diálogo é impossível sob pressão, sem pré-condições, em pé de igualdade, com respeito pela nossa soberania, pela nossa independência e pela nossa autodeterminação, e sem abordar questões que sejam ofensivas e que possamos considerar ingerência nos nossos assuntos internos”.

O Presidente cubano, que sucedeu a Raúl Castro em outubro de 2019, sublinhou que os cubanos “não odeiam o povo americano” e que um diálogo nestes moldes “pode construir uma relação civilizada entre vizinhos, que poderia trazer benefício mútuo para os nossos povos, para os povos da região”.

No entanto, a posição cubana exclui qualquer discussão sobre mudanças no sistema político. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Fernández de Cossío, afirmou à CNN: “Não estamos dispostos a discutir o nosso sistema constitucional, tal como assumimos que os Estados Unidos não estão dispostos a discutir o seu sistema constitucional, o seu sistema político ou a sua realidade económica”.

A crise em Cuba é multifacetada, indo para além da escassez de combustível. A economia enfrenta cortes de energia contínuos, falta de medicamentos e alimentos, e relatos frequentes de repressão contra dissidentes que pedem eleições livres e o fim da ditadura comunista.

Esta posição de abertura ao diálogo contrasta com as declarações recentes do Presidente norte-americano, Donald Trump, que numa entrevista à NBC News afirmou que “estamos a falar com Cuba”, ao mesmo tempo que recordou os milhares de cubanos forçados a emigrar devido ao comunismo.

O cenário é ainda mais complexo considerando um recente alerta dos bispos cubanos, que publicaram uma mensagem a 31 de janeiro a advertir que o país precisa de “mudanças estruturais urgentes” para evitar que a crise se aprofunde, sublinhando que “o risco de caos social e violência entre o povo da mesma nação é real”.