Silvio Báez, bispo auxiliar exilado de Manágua, Nicarágua, afirmou numa homilia a 25 de janeiro que “a liberdade e a democratização estão cada vez mais próximas” na América Latina e que “para a Igreja, este não é tempo de silêncio”.

“Em muitos dos nossos países, vivemos momentos de incerteza e experiências dolorosas de poderes arbitrários que ameaçam, reprimem e aprisionam. Este não é o momento para calar ou desanimar”, declarou Báez durante a homilia da missa que celebrou na Igreja de Santa Ágata, em Miami.

O bispo está no exílio desde 2019 devido a ameaças credíveis contra a sua vida por criticar a ditadura nicaraguense, liderada pelo presidente Daniel Ortega e pela sua mulher e “co-presidente”, Rosario Murillo.

“Chegou o momento de falar para iluminar as trevas do momento, para alimentar a esperança do povo e para denunciar as estruturas opressivas que prevaleceram até agora, mas que estão prestes a desaparecer”, enfatizou o prelado.

Báez disse que é tempo de os líderes políticos se dirigirem ao povo, capacitando-o e encorajando-o, tendo em mente que “Deus fala-nos através do que acontece. As pessoas podem ser silenciadas, mas os grandes ideais perduram”.

Refletindo sobre a prisão de João Batista na leitura do Evangelho do dia, que representou o silenciamento de um profeta, como aconteceu com bispos, padres e freiras na Nicarágua que sofrem feroz perseguição sob a ditadura, Báez sublinhou que “Jesus ensina-nos que, quando tudo parece parado, é o momento perfeito para recalibrar a nossa bússola interior e ser dóceis aos caminhos de Deus, para olhar para o futuro com esperança e avançar”.

“Os problemas e os obstáculos são oportunidades para descobrir uma nova força escondida dentro de nós. Assumir desafios sem desanimar ou quebrar é o que nos fortalece e nos leva a encontrar sempre soluções criativas”, continuou.

“Temos de aprender a ler a história, os acontecimentos da vida, porque a força e o amor do Senhor estão presentes em cada dificuldade que enfrentamos”, explicou o bispo.

O apelo à conversão

Na sua homilia, o prelado afirmou que “Deus aproximou-Se de nós, com todo o seu poder salvador. Não estamos sozinhos, enredados e sobrecarregados pelos nossos problemas, fraquezas e sofrimentos. Ao anunciar a proximidade do reino dos céus, Jesus acrescenta: ‘Convertei-vos.'”

“Converter-se é remover os obstáculos à proximidade de Deus”, explicou, acrescentando que “converter-se é permitir-nos ser transformados pelo poder renovador do amor de Deus”.

“É um apelo para ir além dos interesses pessoais e da autossatisfação para construir relações baseadas na compaixão e na solidariedade, pilares fundamentais para construir uma nova humanidade.”

O bispo enfatizou que “vivemos agora um momento decisivo em que a geopolítica global parece reconfigurar-se através do uso da força, da negação do direito e do desprezo e maus-tratos dos grupos humanos mais vulneráveis” e que “as relações económicas e a riqueza foram elevadas a um nível de poder que governa o mundo, esquecendo o valor e a dignidade dos povos e dos indivíduos. É tempo de orientar a história numa nova direção”.

A este respeito, encorajou todos a recordar o que o Papa Leão XIV disse na missa de inauguração do seu pontificado, a 18 de maio de 2025: “Irmãos e irmãs, esta é a hora do amor! O coração do Evangelho é o amor de Deus que nos faz irmãos e irmãs.”