Palavra de Deus para 1 de fevereiro de 2026
As leituras deste dia nos convidam a refletir sobre a verdadeira sabedoria e a felicidade que vêm de Deus, contrastando com os valores do mundo.
Primeira Leitura (Sf 2,3; 3,12-13)
O profeta Sofonias dirige-se aos “humildes da terra”, exortando-os a buscar o Senhor, praticar a justiça e cultivar a humildade. É a estes que Deus promete um refúgio e uma herança. O Senhor deixará um “punhado de homens humildes e pobres” que não cometerão iniquidades, não falarão mentiras e encontrarão repouso e segurança. Esta promessa aponta para um povo renovado, cuja esperança está firmada no nome do Senhor.
Segunda Leitura (1 Cor 1, 26-31)
Paulo recorda aos coríntios a lógica paradoxal da eleição divina. Deus não escolheu os sábios, poderosos ou nobres segundo os critérios humanos. Pelo contrário, escolheu o que o mundo considera estúpido, fraco, insignificante e desprezado. Este agir divino tem um propósito claro: confundir a sabedoria humana, mostrar a inutilidade do que o mundo valoriza e impedir qualquer glória humana diante de Deus. A verdadeira sabedoria, justiça, santificação e libertação encontram-se somente em Cristo Jesus, para que, como diz a Escritura, “quem se gloria, glorie-se no Senhor”.
Evangelho (Mt 5,1-12a)
No Sermão da Montanha, Jesus apresenta as Bem-aventuranças, um manifesto revolucionário do Reino de Deus. Vendo as multidões, Ele sobe ao monte, senta-se – atitude de mestre – e começa a ensinar:
- Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
- Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.
- Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
- Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
- Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
- Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
- Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Jesus conclui dirigindo-se diretamente aos discípulos, declarando-os bem-aventurados quando forem injuriados, perseguidos e caluniados por sua causa, convidando-os à alegria e à exultação pela grande recompensa que os aguarda nos céus.
Reflexão: O Bilhete de Identidade do Cristão
Como destacou o Papa Francisco, as Bem-aventuranças contêm o “bilhete de identidade” do cristão, pois delineiam o rosto e o estilo de vida do próprio Jesus. A cena no monte evoca o Sinai, onde Deus entregou a Lei a Moisés. Aqui, Jesus começa a ensinar uma “nova lei”, que não é um conjunto de imposições, mas a revelação do caminho da verdadeira felicidade.
A palavra “bem-aventurado” ou “feliz”, repetida oito vezes, não se refere a uma condição de bem-estar material ou de plena satisfação mundana. No original, aponta para uma pessoa “em estado de graça”, que progride no caminho de Deus através da paciência, da pobreza de espírito, do serviço ao próximo e da busca da consolação divina. A felicidade prometida por Cristo é uma realidade paradoxal: encontra-se na pobreza, na mansidão, no pranto, na fome de justiça e até na perseguição. É a felicidade do Reino, que subverte completamente a lógica do mundo e nos convida a colocar nossa esperança e nossa glória unicamente no Senhor.