Na liturgia de hoje, somos convidados a contemplar a glória de Cristo na Transfiguração. A primeira leitura, da Profecia de Daniel, apresenta a visão do Ancião de muitos dias e a chegada do Filho do Homem, que recebe poder, glória e realeza eterna. No Evangelho de Mateus, Jesus se transfigura diante de Pedro, Tiago e João no alto da montanha, revelando sua divindade. Moisés e Elias aparecem e conversam com Ele, enquanto uma nuvem luminosa os cobre e a voz do Pai proclama: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!’.
Este episódio é uma antecipação da glória da ressurreição e um convite à escuta atenta da Palavra. Como nos diz o Papa Leão XIV, no Angelus de 1º de março de 2026, a Transfiguração é uma ‘solene confidência’ que nos mostra o esplendor humano de Deus, uma glória humilde que não se exibe, mas que se dá a conhecer aos que estão dispostos a subir com Jesus à montanha da oração.
Diante das inquietações do mundo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador. O Espírito Santo nos resgata da solidão e nos oferece comunhão eterna. Para compreender essa revelação, é necessário tempo: tempo de silêncio para ouvir a Palavra e tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor. Que a exemplo dos discípulos, possamos erguer os olhos e ver somente Jesus, caminhando conosco em direção à Páscoa.