
Semana Santa no setor de Iztapalapa, Cidade do México. Crédito: Comité Organizador da Semana Santa em Iztapalapa
A representação da paixão, morte e ressurreição de Cristo, realizada anualmente na Semana Santa no setor de Iztapalapa, na Cidade do México, foi declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A decisão foi tomada durante uma reunião da organização em Nova Deli, na Índia.
Edaly Quiroz, diretora adjunta do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, destacou que a celebração é uma manifestação “de unidade, fé e resiliência que reúne milhares de pessoas num exercício coletivo de memória, identidade e participação”.

A tradição está intimamente ligada à imagem do Senhor da Cuevita, venerada na Catedral de Iztapalapa. A sua origem remonta a 1687, quando uma imagem de Cristo, a ser transportada para restauro, terá ficado imóvel numa gruta do Cerro de la Estrella, sendo interpretado como um sinal de que ali queria permanecer.
Em 1833, durante uma epidemia de cólera, os habitantes levaram a imagem em procissão, pedindo a intercessão de Cristo. Após dias de oração, a praga cessou, um evento considerado milagroso. Em agradecimento, a comunidade fez o voto de representar anualmente a Paixão de Cristo.
Milhões de participantes e impacto espiritual
A tradição cresceu exponencialmente ao longo dos anos. Apenas na Semana Santa de 2025, a celebração reuniu aproximadamente 2 milhões de pessoas.
Juan Pablo Serrano, custodio da imagem do Senhor da Cuevita, expressou a sua alegria pelo reconhecimento da UNESCO, que considerou um motivo de orgulho para a comunidade. Salientou que o evento atrai inclusive pessoas não católicas, que muitas vezes experienciam “uma verdadeira reflexão nos seus corações e uma conversão real”.
Para a comunidade, este novo estatuto representa um compromisso renovado para que a celebração continue a ser “uma expressão de gratidão a Deus” e uma forma de catequese e evangelização.