Primeira Leitura: 1 Samuel 16,1b.6-7.10-13a
O Senhor envia Samuel a Belém para ungir um novo rei entre os filhos de Jessé. Samuel, ao ver Eliab, julga pela aparência, mas o Senhor o corrige: “O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. Após ver todos os filhos apresentados, Samuel pergunta se há mais algum. Jessé menciona o mais novo, Davi, que apascentava as ovelhas. Quando Davi chega, o Senhor confirma: “É este!”. Samuel unge Davi, e a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou dele.
Segunda Leitura: Efésios 5,8-14
Paulo exorta os efésios a viverem como “filhos da luz”, pois outrora eram trevas, mas agora são luz no Senhor. O fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade. Ele os adverte para não se associarem às obras das trevas, mas a desmascará-las, pois tudo o que é condenável se torna manifesto pela luz. A passagem conclui com um chamado: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”.
Evangelho: João 9,1-41
Ao passar, Jesus vê um homem cego de nascença. Seus discípulos perguntam se a cegueira é castigo pelo pecado dele ou de seus pais. Jesus responde que não, mas que serve para que as obras de Deus se manifestem nele. Declarando-se “a luz do mundo”, Jesus faz lodo com saliva e terra, unge os olhos do cego e manda que ele se lave na piscina de Siloé. O homem obedece e volta enxergando.
O milagre causa comoção. Os vizinhos e conhecidos discutem se é realmente o mesmo homem. Levado aos fariseus, o ex-cego relata simplesmente o que aconteceu. Os fariseus se dividem: alguns dizem que Jesus não pode vir de Deus por violar o sábado; outros questionam como um pecador faria tal sinal. Interrogam os pais do homem, que, com medo das autoridades, declaram que ele é maior de idade e pode falar por si.
Chamado novamente, o homem demonstra uma fé crescente e coragem. Aos fariseus que insistem que Jesus é pecador, ele responde com a evidência irrefutável: “Só sei que eu era cego e agora vejo”. Argumenta com lógica teológica: “Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”. Por sua ousadia, é expulso da sinagoga.
Jesus, encontrando-o depois, revela-se como o Filho do Homem. O homem professa sua fé: “Eu creio, Senhor!”, e prostra-se. Jesus então declara a profundidade de sua missão: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos”. Aos fariseus que perguntam se também são cegos, Jesus responde que o pecado deles permanece porque afirmam ver.
Reflexão Inspirada no Papa Bento XVI
O Papa Bento XVI, em seu Angelus de 2008, convida-nos a deter-nos nesta narrativa. Jesus rejeita o preconceito que associa o sofrimento a uma culpa pessoal. Em vez disso, vê naquele homem uma oportunidade para “se manifestarem as obras de Deus”. Esta palavra é um conforto, pois nos mostra Deus como Amor providente, que não pensa primeiro em culpas, mas na sua vontade de vida para o homem.
A cura física é um sinal de uma cura mais profunda: a da cegueira espiritual. Jesus veio para um julgamento que separa “os cegos curáveis dos que não se deixam curar, porque presumem ser sadios”. O Papa adverte sobre a tentação humana de construir “um sistema de segurança ideológica”, onde até a religião pode ser instrumentalizada, cegando-nos com o nosso próprio egoísmo e orgulho, a “grande falta”.
A mensagem é clara: precisamos reconhecer nossas cegueiras e miopias, abandonar o orgulho e nos deixar curar por Jesus, a única Luz que pode dar-nos a verdadeira visão de Deus e de nós mesmos. Como o cego curado, somos chamados a uma jornada de fé que, partindo da experiência simples (“eu era cego e agora vejo”), nos leva ao reconhecimento e à adoração de Cristo.