O regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo anunciou a libertação de “dezenas de pessoas” do sistema penitenciário nacional, numa decisão tomada após pressão diplomática dos Estados Unidos. A medida coincide com o 19.º aniversário do governo de Ortega.
Num breve comunicado na rede social X, o Ministério do Interior nicaraguense confirmou que os detidos estavam a regressar às suas casas e famílias. Embora o regime não tenha divulgado uma lista completa, a agência EFE confirmou a libertação de sete figuras da oposição, incluindo a ativista Jessica Palacios e o pastor evangélico Rudy Palacios.
Segundo o jornal La Prensa, o portal Divergentes reportou a libertação de pelo menos 30 presos políticos, enquanto outros meios de comunicação indicaram números mais baixos.
Arturo McFields Yescas, ex-embaixador da Nicarágua junto da Organização dos Estados Americanos (OEA), comentou o caso a partir do exílio: “É interessante que uma simples declaração da embaixada americana tenha levado à libertação dos presos na Nicarágua. Isto significa que um pouco de pressão dos Estados Unidos pode produzir muita mudança.”
A ação surge após a embaixada dos EUA em Manágua ter publicado uma mensagem na rede social X a 9 de janeiro, apelando à libertação de “mais de 60 pessoas injustamente detidas ou desaparecidas” no país, incluindo pastores, religiosos, doentes e idosos. A publicação incluía uma tradução de um texto do presidente Donald Trump no Truth Social, no qual este celebrava a libertação de presos políticos na Venezuela como um sinal de “busca da paz”.
McFields sublinhou que os recentes acontecimentos na Venezuela “desencadearam medo no governo tirânico e esperança no povo”. O ex-diplomata afirmou que as imagens do presidente venezuelano Nicolás Maduro “afetaram profundamente o regime” de Ortega, criando uma “esperança silenciosa” entre os nicaraguenses de que “os ditadores podem cair a qualquer momento”.
Num post separado, o Departamento de Estado dos EUA, através do seu Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental, criticou o que descreveu como a “brutal ditadura Murillo-Ortega”, assinalando os 19 anos de um mandato que “deveria ter sido democrático e de cinco anos”.
Restauro de mural histórico em Manágua
Num desenvolvimento paralelo, a Arquidiocese de Manágua informou que o cardeal Leopoldo Brenes recebeu das autoridades nicaraguenses o trabalho concluído de restauro do mural histórico de Cristo Ressuscitado na Paróquia de São Domingos.
A imagem, que data da construção da igreja em 1968 e sobreviveu ao terramoto de 1972, sofreu um colapso acidental em dezembro de 2024, sem causar feridos. A obra de restauro incluiu a limpeza e reforço da estrutura, bem como a reconstrução da figura de Cristo.