Primeira Leitura: 2 Timóteo 3,10-17
Caríssimo, tu me tens seguido fielmente no ensino, no procedimento, nos projetos, na fé, na paciência, no amor, na perseverança, nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, Icônio e Listra. E que perseguições sofri! Mas de todas elas o Senhor me livrou. Aliás, todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus serão perseguidos. Os homens maus e sedutores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. Palavra do Senhor.
Evangelho: Marcos 12,35-37
Naquele tempo, Jesus ensinava no Templo, dizendo: “Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés’. Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?” E uma grande multidão o escutava com prazer.
Reflexão do Papa Francisco – Audiência Geral de 29 de abril de 2020
É doloroso recordar que, neste momento, há muitos cristãos que padecem perseguição em várias partes do mundo, e devemos esperar e rezar para que a sua tribulação seja impedida o mais rapidamente possível. Há muitos: os mártires de hoje são mais numerosos do que os mártires dos primeiros séculos. Manifestemos a nossa proximidade a estes irmãos e irmãs: somos um só corpo, e estes cristãos são os membros ensanguentados do Corpo de Cristo, que é a Igreja. (…) A exclusão e a perseguição, se Deus nos concede a graça, tornam-nos semelhantes a Cristo Crucificado e, associando-nos à sua Paixão, são a manifestação da vida nova. Esta vida é a mesma de Cristo, que por nós homens e pela nossa salvação foi «desprezado e rejeitado pelos homens» (cf. Is 53,3; At 8,30-35). Aceitar o seu Espírito pode levar-nos a ter tanto amor no nosso coração, a ponto de oferecermos a vida pelo mundo, sem ceder a compromissos com as suas falácias e aceitando a sua rejeição. Os compromissos com o mundo são o perigo: o cristão é sempre tentado a ceder a compromissos com o mundo, com o espírito do mundo. Esta — rejeitar os compromissos e seguir o caminho de Jesus Cristo — é a vida do Reino dos Céus, a maior alegria, a verdadeira felicidade. Além disso, nas perseguições há sempre a presença de Jesus que nos acompanha, a presença de Jesus que nos consola e a força do Espírito que nos ajuda a seguir em frente. Não desanimemos quando uma vida coerente com o Evangelho atrai as perseguições das pessoas: há o Espírito que nos ampara neste caminho.