Na liturgia de hoje, a Palavra de Deus nos convida à conversão e à acolhida fecunda da semente divina. A Primeira Leitura, extraída do Livro do Profeta Jeremias (Jr 3,14-17), traz um apelo cheio de ternura e esperança: “Convertei-vos, filhos, que vos tendes afastado de mim, diz o Senhor, pois eu sou vosso Senhor”. Deus, como Pai misericordioso, promete reunir seu povo disperso e dar-lhe pastores segundo o seu coração, que os guiarão com sabedoria. A antiga Arca da Aliança dará lugar a uma nova realidade: Jerusalém será chamada “Trono do Senhor”, e todos os povos se reunirão em seu nome, abandonando as inclinações do coração mau.
O Evangelho (Mt 13,18-23) apresenta a conhecida parábola do semeador, na qual Jesus explica os diferentes tipos de terreno que recebem a semente da Palavra. Há a semente à beira do caminho, roubada pelo Maligno; a que cai em terreno pedregoso, recebida com alegria mas sem raízes, que desiste diante das dificuldades; a que cai entre espinhos, sufocada pelas preocupações do mundo e pela ilusão da riqueza; e, finalmente, a que cai em boa terra, onde a Palavra é compreendida e produz fruto abundante: “Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.
O Papa Francisco, no Angelus de 16 de julho de 2023, refletiu sobre esta parábola, destacando que a Palavra de Deus é como uma pequena semente, simples e acessível, mas capaz de gerar vida nova. Ele nos lembra que somos o terreno, e Jesus, o “bom semeador”, nunca se cansa de semear com generosidade, mesmo conhecendo nossas pedras e espinhos. A pergunta que fica é: “Semeio o bem? Preocupo-me em colher apenas para mim ou semeio também para os outros?”
Que Maria, a Mãe que acolheu plenamente a Palavra, nos ajude a ser semeadores generosos e jubilosos da Boa Nova, sem desanimar diante da falta de resultados imediatos.