Na leitura do Primeiro Livro dos Reis (17,7-16), o profeta Elias, escondido junto à torrente que secou por falta de chuva, recebe a ordem do Senhor para ir a Sarepta dos sidônios, onde uma viúva o sustentará. Ao chegar, encontra uma mulher apanhando lenha, prestes a preparar a última refeição para si e seu filho, antes de morrer de fome. Elias pede-lhe um pouco de água e um pãozinho, prometendo-lhe, da parte do Deus de Israel, que a farinha e o azeite não acabariam até o dia da chuva. A viúva obedece, e o milagre se realiza: a farinha da vasilha não acabou nem o óleo da jarra diminuiu, conforme a palavra do Senhor.
O Evangelho de Mateus (5,13-16) traz as palavras de Jesus aos discípulos: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo”. O sal, se perder o sabor, não serve para nada, senão para ser pisado; a luz não se acende para ficar debaixo de uma vasilha, mas no candeeiro, para iluminar a todos. Assim, as boas obras dos discípulos devem brilhar diante dos homens, para que louvem o Pai que está nos céus.
O Papa Leão XIV, no Angelus de 8 de fevereiro de 2026, reflete sobre esta passagem: “É a verdadeira alegria que dá sabor à vida e traz à luz o que antes não existia. Esta alegria irradia de um estilo de vida, de um modo de habitar a terra e de viver juntos que deve ser desejado e escolhido. É a vida que resplandece em Jesus, o novo sabor dos seus gestos e das suas palavras. Depois de O termos encontrado, parece insípido e opaco tudo o que se afasta da sua pobreza de espírito, da sua mansidão e simplicidade de coração, da sua fome e sede de justiça, que despertam misericórdia e paz como dinâmicas de transformação e reconciliação. (…) É doloroso perder o sabor e renunciar à alegria; no entanto, é possível ter esta ferida no coração. Jesus parece avisar quem o escuta, para que não renuncie à alegria. O sal que perdeu o sabor, diz ele, ‘não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens’ (Mt 5, 13). Quantas pessoas – e talvez já tenha acontecido também conosco – se sentem descartáveis, imperfeitas. É como se a sua luz tivesse sido escondida. Jesus, porém, anuncia-nos um Deus que nunca nos descartará, um Pai que guarda o nosso nome, a nossa singularidade.”
Que a Palavra de hoje nos inspire a sermos sal que dá sabor e luz que ilumina o mundo, confiando na providência divina que nunca nos abandona.