A liturgia da Palavra deste domingo nos convida a mergulhar no coração do Evangelho, onde a misericórdia divina se revela como o caminho para a verdadeira santidade.

Primeira Leitura (Os 6,3-6)

O profeta Oseias proclama: “É preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor. Certa como a aurora é a sua vinda, ele virá até nós como as primeiras chuvas, como as chuvas tardias que regam o solo.” No entanto, Deus lamenta: “O vosso amor é como nuvem pela manhã, como orvalho que cedo se desfaz.” A mensagem central ecoa: “Quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.”

Segunda Leitura (Rm 4,18-25)

Paulo nos recorda o exemplo de Abraão, que “contra toda a esperança, firmou-se na esperança e na fé”. Sua confiança inabalável na promessa divina foi-lhe “creditada como justiça”. Esta fé se estende a nós, que “cremos naquele que ressuscitou dos mortos, Jesus, nosso Senhor, que foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação.”

Evangelho (Mt 9,9-13)

Mateus, um cobrador de impostos – pecador público aos olhos da sociedade – recebe o chamado de Jesus: “Segue-me!” Imediatamente, ele se levanta e o segue. Jesus, em sua casa, partilha a mesa com “muitos cobradores de impostos e pecadores”. Aos fariseus escandalizados, Ele responde: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. …Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores.”

Reflexão

No centro desta liturgia, brilha a frase de Oseias (6,6), retomada por Jesus: a verdadeira religião não se baseia em ritos vazios, mas no amor a Deus e ao próximo. O Papa Bento XVI, no Angelus de 8 de junho de 2008, nos iluminou: “Esta palavra de Deus chegou-nos, através dos Evangelhos, como uma das sínteses de toda a mensagem cristã: a verdadeira religião consiste no amor a Deus e ao próximo.” Como na célebre pintura “A Vocação de São Mateus”, de Caravaggio, o olhar de Jesus nos encontra em meio às nossas fraquezas e nos convida a uma vida nova. Somos chamados a testemunhar uma fé que se traduz em gestos concretos de compaixão, acolhimento e misericórdia para com todos, especialmente os marginalizados. Peçamos a graça de também deixar tudo para seguir o Mestre que nos ama e nos cura.