Lila Rose, presidente da Live Action, e Ryan Anderson, presidente do Ethics and Public Policy Center, numa conferência de imprensa no Capitólio a 22 de janeiro de 2026. | Crédito: Cortesia da Live Action

22 de janeiro de 2026 / 15:59 (CNA).

A organização pró-vida Live Action enviou um memorando urgente ao Secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert F. Kennedy Jr., exigindo a retirada do medicamento abortivo químico mifepristona do mercado. O pedido surge após um relatório investigativo revelar extenso incumprimento dos regulamentos de segurança por parte da Planned Parenthood na distribuição do fármaco.

Num vídeo investigativo apresentado numa conferência de imprensa no Capitólio, a Live Action documentou violações sistemáticas dos protocolos de segurança. As imagens mostram funcionários da Planned Parenthood a não confirmar a idade gestacional dos bebés por nascer antes de distribuírem as pílulas, bem como a não rastrear gravidezes ectópicas, colocando as mulheres em risco de hemorragias graves e até morte.

“Estamos aqui para exigir que a administração e a FDA [Agência de Alimentos e Medicamentos] removam estas drogas letais do mercado”, declarou Lila Rose, presidente da Live Action. “Elas não pertencem no nosso mercado; não devem inundar as casas das famílias americanas, destruir a vida de crianças americanas e prejudicar, por vezes matando, mulheres americanas.”

Rose afirmou que os medicamentos para aborto químico “foram ilegalmente acelerados durante a administração Clinton” e que, ao longo dos anos, os regulamentos foram sendo desmantelados. “Agora lidamos com morte em massa sob demanda, enviada pelo nosso sistema de correio, e isso tem de acabar”, acrescentou.

A carta da Live Action, enviada também ao Comissário da FDA, Marty Makary, após o briefing, salienta que cerca de 7,5 milhões de bebés por nascer morreram devido à mifepristona desde a sua aprovação em 2000.

A investigação encontrou múltiplas instâncias em que a Planned Parenthood:

  • Não verificou a idade gestacional nem forneceu ecografias.
  • Dispensou as pílulas sem rastreio ou cuidados de acompanhamento.
  • Minimizou riscos potenciais, tratando salvaguardas críticas como opcionais.
  • Falhou em verificar o fator Rh e enviou pílulas para endereços fraudulentos para contornar notificações parentais.
  • Não exigiu historial médico nem forneceu informação transparente sobre sintomas, subestimando a hemorragia possível.

A carta cita ainda um estudo do Ethics and Public Policy Center (EPPC) que analisou mais de 865.000 pacientes e descobriu que 10,93% das mulheres sofreram eventos adversos graves (como sépsis, infeção ou hemorragia) dentro de 45 dias após tomar mifepristona – uma taxa pelo menos 22 vezes superior à reportada nos ensaios clínicos da FDA.

“Os dados da FDA têm décadas e baseiam-se em estudos clínicos com ‘uma paciente ideal em condições ideais’. Os nossos dados são do mundo real”, afirmou Ryan Anderson, presidente da EPPC, na conferência.

Vários membros do Congresso estiveram presentes, incluindo os representantes republicanos Michael Cloud (Texas), Mark Harris (Carolina do Norte), Troy Downing (Montana), Dan Crenshaw (Texas) e Andy Biggs (Arizona). Também intervieram George Delgado, desenvolvedor do protocolo de reversão da pílula abortiva, e Mayra Rodríguez, ex-diretora de uma clínica da Planned Parenthood.

“A conferência de imprensa de hoje e a divulgação deste vídeo investigativo deixam claro que este assunto merece uma revisão e ação imediatas e rigorosas”, conclui a carta. “A Live Action solicita que o HHS e a FDA reavaliem a aprovação e o estatuto regulamentar atual da mifepristona, reforcem a transparência e recolha de dados, e removam este medicamento perigoso do mercado.”